AGENDA DE AÇÃO

COP30 inicia 2026 com sessão estratégica da Agenda de Ação

O foco do encontro foi relembrar os avanços alcançados até agora, como a consolidação da Agenda de Ação na implementação, e também iniciar o debate sobre a transição de presidência para a Austrália e Turquia na COP31

Agenda de Ação da COP30 se consolida como espaço de implementação da ação climática e segue em 2026 com novo ciclo rumo à COP31. Foto: Kenny Garci/Climate Champions
Agenda de Ação da COP30 se consolida como espaço de implementação da ação climática e segue em 2026 com novo ciclo rumo à COP31. Foto: Kenny Garci/Climate Champions

Por Rafael Campos/COP30

A Presidência da COP30, a UNFCCC e a equipe dos Climate Champions realizaram, na manhã desta quinta-feira, 22/01, a sessão de abertura da Agenda de Ação Climática Global de 2026. O encontro marcou um momento estratégico na continuidade do trabalho realizado ao longo de 2025, reunindo iniciativas e lideranças para celebrar os resultados da COP30, fazer um balanço das entregas alcançadas em Belém e alinhar prioridades para o novo ciclo de implementação rumo à COP31.

Realizada em formato virtual, a sessão reuniu 546 participantes representando membros dos Grupos de Ativação da Agenda de Ação e stakeholders da Parceria de Marrakech, consolidando um espaço de coordenação entre atores estatais e não estatais, responsáveis por transformar compromissos globais em ações concretas ao longo de 2026.

O Campeão Climático de Alto Nível da COP30, Dan Ioschpe, participou do encontro e celebrou o marco de consolidação da Agenda de Ação como um espaço orientado à implementação. Segundo ele, a experiência em Belém demonstrou que atores não estatais (como cidades, empresas, investidores, comunidades, povos indígenas e organizações da sociedade civil) são parceiros essenciais para acelerar a execução do Acordo de Paris e complementar as ações dos governos nacionais.

Ioschpe ressaltou ainda que, apesar dos avanços alcançados, o desafio para 2026 é ampliar a ambição e institucionalizar a Visão Quinquenal para a Agenda de Ação Global (2026–2030), consolidando o chamado “espírito do Mutirão”. O Campeão Climático de Alto Nível da COP30 apontou como  prioridade o avanço na implementação dos 120 Planos de Aceleração de Soluções lançados na COP30.

“Nossa responsabilidade, e uma oportunidade extraordinária, é garantir que a Presidência da COP31 receba um motor de ação climática operando em máxima velocidade e eficiência. A tarefa é enorme e o contexto global é cada vez mais desafiador. Por isso, precisamos trabalhar juntos 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. A emergência climática não pode esperar, e é com esse espírito que retomamos hoje o trabalho com os 30 Grupos de Ativação”, afirmou o Campeão Climático de Alto Nível.

Da negociação à implementação

Durante a sessão, também foi destacado como os resultados das negociações formais da COP30 criaram condições políticas e institucionais para acelerar a ação climática em 2026. A Conferência resultou na adoção de 56 decisões por consenso, reafirmando o compromisso com o multilateralismo e com a implementação efetiva do Acordo de Paris.

Entre os principais avanços estão os mapas do caminho lançados pela Presidência brasileira para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para interromper e reverter o desmatamento, além da criação da Missão Belém para 1,5°C e do Global Implementation Accelerator, instrumentos voltados a alinhar decisões políticas, ciência e ação concreta no território.

“Dois resultados da Decisão Mutirão estão intimamente ligados à evolução da Agenda de Ação: a Missão Belém para 1,5°C e o Acelerador Global de Implementação. Atingir a meta de 1,5°C só será possível se acelerarmos a implementação. Nesse contexto, devemos aprender com as lições da Agenda de Ação.”, relembrou Túlio Andrade, diretor de Estratégia e Alinhamento da COP30.

Legado e planejamento para 2026

A coordenadora-geral da Agenda de Ação da COP30, Bruna Cerqueira, apresentou uma avaliação dos resultados alcançados e das prioridades para 2026. Segundo ela, a COP30 deixou como legado uma nova arquitetura de implementação alinhada ao Global Stocktake, voltada a apoiar de forma contínua a execução das decisões adotadas no âmbito das negociações formais.

Entre os avanços destacados estão o fortalecimento da transparência, com mais iniciativas reportando à plataforma da UNFCCC; o compartilhamento de estudos de caso e bancos de soluções no Celeiro de Soluções; e a elaboração coletiva dos 120 Planos de Aceleração de Soluções, distribuídos entre os seis eixos temáticos da Agenda de Ação. Bruna também ressaltou a consolidação de um ciclo anual contínuo de trabalho, que garante previsibilidade, coordenação e engajamento ao longo de todo o ano.

“O próximo passo é construir sobre esse legado coletivo e acelerar os resultados, impulsionados pela liderança da Turquia e da Austrália, como futura Presidência da COP31. Continuamos a ser guiados pela visão de 5 anos apresentada em Belém e pelos nossos 6 Eixos para acelerar a implementação dos resultados do primeiro Balanço Global acordado pelas Partes”, iniciou a coordenadora-geral da Agenda de Ação da COP30. 

“Os Planos de Aceleração de Soluções que as Iniciativas Globais apresentaram são as nossas ferramentas para superar as barreiras à expansão das soluções existentes. E temos ainda a oportunidade de nos concentrarmos na implementação em todas as regiões, aproveitando as crescentes semanas dedicadas ao clima”, complementou.

Ao final da sessão, foi reforçado que os Grupos de Ativação realizarão reuniões entre 26 e 30 de janeiro, quando serão apresentados os planos de trabalho e o calendário anual da Agenda de Ação para 2026.