Beat the Heat / Mutirão contra o Calor Extremo

O Beat the Heat / Mutirão contra o Calor Extremo é uma iniciativa emblemática da COP30, concebida pela Presidência da COP30 em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a UNEP Cool Coalition, para acelerar ações locais de enfrentamento ao calor extremo e promover soluções de resfriamento sustentável nas cidades.
Lançada em 13 de junho de 2025, a iniciativa integra o legado da COP30 e segue ativa como um esforço contínuo de implementação, conectando compromissos globais a ações concretas nos territórios. O Mutirão responde diretamente ao Chamado à Ação do Secretário-Geral da ONU sobre Calor Extremo e operacionaliza, em nível local, o Compromisso Global de Resfriamento, lançado na COP28 e atualmente endossado por 72 países e mais de 80 atores não estatais, incluindo governos subnacionais.
Nesse contexto, a iniciativa promove a realização de diagnósticos do calor urbano, a identificação das populações e territórios mais vulneráveis e a integração de ações de resfriamento a planos urbanos, climáticos e a planos de ação contra o calor, fortalecendo a capacidade local de planejar, priorizar e implementar respostas eficazes ao calor extremo.
Inspirado no conceito de mutirão, cooperação coletiva, com propósito comum e orientada à ação, o Beat the Heat parte do reconhecimento de que é nas cidades que o calor extremo se manifesta de forma mais letal e desigual, e onde as soluções precisam ser implementadas com urgência.
Por que agir contra o calor extremo?
O mundo vive uma escalada sem precedentes de temperaturas extremas. O planeta acaba de registrar seu terceiro ano consecutivo de calor recorde, colocando o calor extremo no centro da crise climática.
Os impactos já são profundos e desiguais:
Saúde
- O calor extremo causa mais de 500 mil mortes por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
- Entre 2000 e 2018, ondas de calor contribuíram para cerca de 55 mil mortes nas cidades brasileiras, afetando sobretudo idosos, crianças e populações de baixa renda.
- O número de ondas de calor no Brasil quadruplicou em comparação à década de 1970, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) consolidados pela OMM.

Educação
- As ondas de calor foram o principal fator climático que provocou o interrompimento de aulas em 2024, de acordo com levantamento do Instituto Alana.
- 2,5 milhões de crianças e adolescentes estudam em escolas localizadas em áreas pelo menos 3°C mais quentes do que a média das cidades onde estão localizadas, segundo estudo conjunto do Instituto Alana e do MapBiomas.
- Há uma desigualdade racial marcante: escolas situadas nas áreas mais quentes concentram maior proporção de estudantes negros.
Trabalho
- Cerca de 2,4 bilhões de trabalhadores no mundo estão expostos a riscos graves de saúde relacionados ao calor excessivo, segundo a OMS e a OMM.
- O calor provoca mais de 22 milhões de lesões ocupacionais e quase 19 mil mortes por ano, de acordo com estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
- A produtividade do trabalho cai entre 2% e 3% a cada grau acima de 20°C.
Além disso, o Observatório Global de Resfriamento 2023 alerta que, se as tendências atuais persistirem, o aumento da demanda por resfriamento poderá adicionar 6,1 gigatoneladas de CO₂ até 2050, enquanto mais de um bilhão de pessoas ainda não têm acesso a soluções básicas de resfriamento para proteger a saúde, alimentos e medicamentos.

O que é o Beat the Heat?

O Beat the Heat é um esforço global de implementação, voltado principalmente a cidades e governos subnacionais, que busca transformar compromissos políticos em ações locais mensuráveis.
A iniciativa tem três objetivos centrais:
Valorizar e dar visibilidade à liderança local, destacando soluções práticas já em curso em países, regiões e cidades.
Identificar iniciativas e planos urbanos que possam se beneficiar de apoio técnico, conhecimento especializado ou financiamento.
Catalisar ações locais escaláveis, alinhadas às prioridades nacionais de clima e desenvolvimento e às metas do Compromisso Global de Resfriamento.
As soluções são construídas de forma coletiva, respeitando as especificidades de cada território, sua geografia, bioma, contexto urbano e social.
O que os participantes se comprometem a fazer

Ao aderir ao Beat the Heat, países, cidades e regiões atuam em um esforço multinível avançar em uma ou mais frentes do Compromisso Global de Resfriamento, tais como:
- Realizar diagnóstico do calor urbano, identificar a vulnerabilidade e integrar ações de resfriamento a planos urbanos, climáticos ou a planos de ação contra o calor, estruturando carteiras de projetos de resfriamento.
- Planejar e implementar soluções de resfriamento passivo e baseadas na natureza, como corredores verdes, arborização urbana e desenho urbano climático.
- Liderar a aquisição pública de tecnologias de resfriamento eficientes e de baixo potencial de aquecimento global, principalmente em edifícios públicos.
- Apoiar códigos de energia para edificações, incorporando medidas passivas em nível subnacional.
As cidades participantes têm acesso a uma curadoria de recursos técnicos, incluindo materiais de capacitação, workshops, guias práticos e, quando necessário, podem solicitar assistência técnica especializada.
Quem pode participar
A participação é aberta a:
- Governos nacionais, signatários ou não do Compromisso Global de Resfriamento
- Governos estaduais e municipais
- Redes de cidades
- Organizações internacionais
- Universidades e centros de pesquisa
- Fundações, instituições financeiras e doadores
- Empresas e provedores de tecnologia
Parceiros técnicos podem contribuir com ferramentas de avaliação de calor, capacitação, assistência técnica, desenvolvimento de projetos, financiamento e criação de linhas de apoio para cidades.
Como participar
Países, cidades e parceiros interessados podem manifestar seu interesse por meio do formulário oficial:
Clique aqui e acesse o formulário de inscrição no Beat the Heat
Para mais informações ou para contribuir como parceiro técnico ou financeiro, entre em contato com o Secretariado da Cool Coalition do PNUMA: unep-coolcoalition@un.org
Um legado da COP30 em ação contínua
O Beat the Heat reafirma um dos princípios centrais da COP30: COPs não são um fim em si mesmas, mas parte de um processo contínuo de transformação. Ao fortalecer a ação local contra o calor extremo, a iniciativa contribui para proteger vidas, reduzir desigualdades, aumentar a resiliência urbana e manter viva a ambição climática no dia a dia das cidades. O mutirão continua.
