BOLETIM DE RÁDIO COP30 BRASIL

Boletim COP30 Brasil #88 - Plano de Ação de Gênero de Belém marca avanço, mas exige participação das mulheres na implementação, diz Jovem Campeã do Clima

Em entrevista exclusiva, Marcele Oliveira reitera que as mulheres lideram a adaptação climática. Segundo ela, planos de ação e o 8 de março reforçam a luta das mulheres por participação nas decisões que afetam toda a sociedade.

Marcele Oliveira, Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30. Foto: Marina Pontes / COP30
Marcele Oliveira, Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30. Foto: Marina Pontes / COP30

Reportagem: Leandro Molina / COP30

Repórter: A aprovação do Plano de Ação de Gênero durante a COP30, realizada em Belém (PA), representa um marco político para a luta das mulheres na agenda climática. A avaliação é de Marcele Oliveira, Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30, que defende maior participação feminina nas decisões e na implementação das políticas climáticas.

Marcele Oliveira: Tem uma coisa importante sobre esse plano é que ele fala dos dados desagregados, do reconhecimento da diferença do impacto da mudança do clima para as mulheres jovens, as mulheres negras, para as mulheres indígenas. A diferença de gênero, de território e de raça não pode ser desconsiderada na hora da decisão, muito menos a presença das mulheres nas mesas de decisão.

Repórter: Marcele destaca que, embora o plano represente um avanço, sua aplicação dependerá diretamente do compromisso dos governos.

Marcele Oliveira: Para esse plano de ação de gênero ser implementado, ele depende dos governos dos países, por exemplo. E a gente sabe que a maior parte da composição das autoridades dos países, muitas vezes, não tem mulheres. A gente sabe também que as mulheres jovens estão à margem dessa sociedade, olhando decisões que são tomadas sem elas poderem participar e decisões que impactam diretamente o nosso futuro. 

Repórter: Marcele relaciona a agenda climática ao conceito de “bem viver”, frequentemente debatido por movimentos de mulheres negras e indígenas, que defendem uma relação mais equilibrada entre sociedade e natureza.

Marcele Oliveira: A gente fala sobre esse bem viver como algo que não pode ser  utopia, sabe? Tem que ser a realidade. Então a aprovação do Plano de Ação de Gênero é o que a gente celebra, mas a implementação desse plano por cada um dos países depende da nossa articulação. 

Repórter: Na avaliação da Jovem Campeã do Clima, o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, também deve ser entendido como um momento de mobilização política e não apenas de celebração simbólica.

Marcele Oliveira: O 8 de março não é o dia de dar flores, ele é um dia de valorizar a luta das mulheres trabalhadoras que colocaram a importância da valorização do seu trabalho, do direito ao voto e da igualdade, da equidade dentro da nossa sociedade.

Repórter: Marcele ressaltou ainda que as mulheres historicamente desempenham um papel central no cuidado, tanto com as pessoas quanto com o planeta, mas que esse trabalho permanece invisibilizado.

Marcele Oliveira: Quando a gente fala que o impacto é desproporcional é também porque a capacidade de se reconstruir é condizente com a capacidade econômica, com onde você mora, com o quanto de suporte você vai receber. E quando você está sempre cuidando, como que esse suporte e esse cuidado vai chegar para você.

Repórter: Para a Jovem Campeã do Clima, garantir justiça climática passa necessariamente por ampliar a participação feminina nas decisões e reconhecer as desigualdades estruturais.

Marcele Oliveira: Historicamente nós fomos apagadas da construção de decisão e hoje em dia essas decisões que foram tomadas sem nós têm impacto para todo mundo, ou seja, é melhor passarem a nos considerar. 

Repórter: Marcele Oliveira conclui que a mobilização das mulheres continuará sendo essencial para transformar compromissos políticos em ações concretas, não só no 8 de março, mas em todos os dias do ano.

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