Adaptação

COP30 impulsiona construção coletiva da Aliança para a Implementação de Planos Nacionais de Adaptação (PNAs)

Processo participativo reúne atores internacionais para fortalecer a coordenação e transformar planos de adaptação em investimentos concretos

Área inundada na cidade da Beira, em Moçambique, após o Ciclone Eloise. Eventos extremos reforçam a urgência de fortalecer a adaptação climática. Crédito: Rafael Campos/WFP
Área inundada na cidade da Beira, em Moçambique, após o Ciclone Eloise. Eventos extremos reforçam a urgência de fortalecer a adaptação climática. Crédito: Rafael Campos/WFP

Texto: Rafael Campos/COP30

A Presidência da COP30 lidera um processo colaborativo para a estruturação da Aliança para a Implementação de Planos Nacionais de Adaptação (PNAs), iniciativa da Agenda de Ação voltada a fortalecer a coordenação entre os diversos atores que oferecem financiamento e suporte técnico aos países em desenvolvimento para acelerar a execução desses planos que delimitam as prioridades de cada país no enfrentamento aos impactos da mudança do clima.

Lançada como um dos Planos de Aceleração de Soluções (PAS), a Aliança responde a um dos principais desafios da ação climática atual: transformar prioridades nacionais de adaptação em investimentos concretos e em carteiras estruturadas de projetos capazes de atrair financiamento. Com um número crescente de países já tendo desenvolvido seus PNAs, o foco global se volta cada vez mais para assegurar a implementação efetiva desses planos, em um contexto marcado pela fragmentação do ecossistema de financiamento e assistência técnica.

A Aliança tem três principais objetivos: fortalecer a colaboração global na implementação dos PNAs, apoiar a criação de condições favoráveis para ampliar a prontidão para investimentos e o acesso a financiamento no nível dos países, e promover maior engajamento do setor privado no financiamento da adaptação.

Para apoiar esse processo, a Presidência da COP30, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Itália e Alemanha, promoveu uma série de sessões de construção colaborativa (design sessions, em inglês) com representantes de diferentes segmentos do ecossistema de adaptação. Os encontros reuniram instituições financeiras, países doadores, provedores de assistência técnica, organizações da sociedade civil, think tanks e representantes de países em desenvolvimento, com o objetivo de contribuir para o desenho da Aliança.

As sessões foram concebidas como espaços interativos de escuta e co-criação, nos quais participantes sugeriram estratégias e atividades que a Aliança poderia desenvolver para ajudar a estruturar a demanda por financiamento de projetos de adaptação e conciliá-la com a oferta de recursos tanto públicos quanto privados . O processo buscou assegurar que a Aliança seja construída de forma inclusiva, incorporando o conhecimento acumulado por diferentes atores que já atuam no campo da adaptação.

“Este processo de construção coletiva tem como objetivo definir o papel e escopo da Aliança no ecossistema global de adaptação, identificando lacunas, evitando sobreposições e fortalecendo a coordenação entre os diferentes atores envolvidos. Ao reunir contribuições, buscamos assegurar que a iniciativa seja orientada pelas necessidades dos países em desenvolvimento e capaz de efetivamente acelerar a implementação dos PNAs”, afirma Alice Amorim, diretora de programas da presidência da COP30.

Os insumos coletados ao longo das sessões irão informar os próximos passos da Aliança, incluindo a definição de seu escopo, prioridades e possíveis áreas de atuação. A continuidade do engajamento com parceiros e stakeholders será fundamental para consolidar a iniciativa e avançar na construção de soluções que respondam à urgência da adaptação climática em escala global.

Ao promover um processo aberto e estruturado de colaboração, a COP30 reforça seu papel como catalisadora de ação e colaboração internacional, contribuindo para que os Planos Nacionais de Adaptação se traduzam em resultados concretos que incrementem a resiliência de países e comunidades frente aos impactos crescentes das mudanças do clima.