Ação Global

Secretário-geral da ONU chama à ação imediata contra emissões de metano

Guterres propõe nove ações prioritárias até 2030, organizadas em três setores-chave; gás tem um potencial de aquecimento 80 vezes maior do que o do gás carbônico

Foto: Felipe Werneck/COP30
Foto: Felipe Werneck/COP30

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez nesta terça-feira (23), durante a Semana de Ação Climática de Londres, uma chamada global à ação que coloca o metano (CH4) no centro da resposta climática.

O metano é um dos gases de efeito estufa. Apesar de durar menos na atmosfera do que o gás carbônico (CO2), ele tem um potencial de aquecimento 80 vezes maior. Se o CO2 define a crise climática no longo prazo, é o metano que determina o ritmo do aquecimento nesta década. 

“Nós eliminamos os químicos que destroem a camada de ozônio. A poluição por metano deve ser a próxima”, afirmou Guterres. “Convoco os governos produtores e consumidores a estabelecerem um novo padrão global para o setor de petróleo e gás: emissões de metano próximas de zero ao longo de toda a cadeia de valor.”

Para acelerar a transição, Guterres propôs nove ações prioritárias até 2030, organizadas em três setores-chave: combustíveis fósseis, agropecuária e resíduos.

Nos combustíveis fósseis — responsáveis por cerca de 38% das emissões globais de metano — a prioridade será eliminar vazamentos, acabar com a queima e a liberação rotineiras e estabelecer padrões globais para combustíveis de baixa intensidade de metano. Segundo a ONU, setenta e cinco por cento dessas emissões poderiam ser evitadas até 2030 com tecnologias já disponíveis.

Na agropecuária, setor que concentra 42% das emissões, o foco recai sobre o aumento da eficiência produtiva, o manejo pecuário, a redução de perdas e o redirecionamento de subsídios. Já no setor de resíduos, que responde por 20% das emissões de metano, o desafio é eliminar os lixões, ampliar a captura de biogás e estruturar sistemas urbanos de economia circular.

Se adotadas em conjunto, essas medidas poderiam reduzir as emissões globais em até 32% nesta década, e a maior parte delas (cerca de 80%) pode ser implementada a baixo custo.

Segundo o secretário de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima, Adalberto Maluf, presente no evento em Londres, “a redução do metano é a nossa maior chance de diminuir o aquecimento global no curto prazo: as tecnologias já estão comprovadas e, do ponto de vista financeiro, muitas dessas ações fazem sentido.”

“Por isso a importância que o tema da redução do metano e dos outros poluentes climáticos de vida curta ganhou: para voltar à missão de manter o aquecimento global limitado a 1,5°C”, disse Maluf. O Brasil aderiu ao programa de redução de emissões fugitivas de petróleo e gás, para ampliar ações e regulamentações nacionais.

Em novembro do ano passado, Brasil, China e Reino Unido, com apoio da Presidência da COP30, coorganizaram uma cúpula sobre metano, reunindo representantes de Barbados, França, Alemanha, da Climate and Clean Air Coalition e da Bloomberg Philanthropies. A cúpula lançou um conjunto de iniciativas históricas para acelerar a ação global sobre metano e outros gases de efeito estufa não-CO2.

Saiba mais:

Chamada à Ação sobre Metano

Observatório Internacional de Emissões de Metano do Pnuma