Reunião preparatória para COP31 reforça multilateralismo climático e resultados da COP30
No Diálogo de Petersberg, em Berlim, presidente da COP30 afirmou que a resposta às dificuldades impostas pela geopolítica passa pelo fortalecimento do multilateralismo

O Diálogo de Petersberg sobre o Clima terminou nesta semana com um reforço ao multilateralismo e à implementação de soluções que acelerem o combate à emergência climática. Representantes de mais de 30 países reuniram-se em Berlim, na Alemanha, em preparação para a conferência do clima deste ano, que será realizada em Antália, na Turquia, de 9 a 20 de novembro.
Em mensagem gravada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a guerra no Oriente Médio provocou a “crise energética mais grave de uma geração” e que é preciso “responder à crise energética sem aprofundar a crise climática”.
"Política climática é também política para segurança e prosperidade globais", disse o chanceler alemão, Friedrich Merz, na sessão de encerramento do diálogo. “Estamos testemunhando como o avanço do aquecimento global está intensificando conflitos existentes e ameaçando causar novos.”
Além do chanceler, a sessão de encerramento teve participação do diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, que caracterizou a crise energética acentuada pela guerra no Irã como a “maior crise energética da história". Birol, contudo, afirmou que o cenário representa uma “oportunidade maravilhosa” para que haja uma mudança estrutural no setor energético.
Em sua 17ª edição, Petersberg é organizado anualmente pelo governo alemão em parceria com a Presidência Designada da COP do ano em questão. Em 2026, a conferência será liderada conjuntamente pelos governos da Turquia e da Austrália.
O Brasil foi representado em Petersberg pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, e pela CEO da conferência, Ana Toni. Em discurso na terça-feira, Corrêa do Lago destacou que a resposta às dificuldades impostas pela geopolítica passa pelo fortalecimento do multilateralismo.
“A resposta essencial neste contexto muito difícil é o fortalecimento do multilateralismo", disse o diplomata. “O clima já está integrado em todos os assuntos importantes sobre os quais estamos falando. Quando falamos de energia, inevitavelmente estamos falando de clima. Quando falamos de pobreza, injustiça, financiamento, estamos também falando de clima.”
Durante o Diálogo, foram realizadas sessões para debater temas relacionados à mitigação, ao financiamento climático e a como o regime climático pode acelerar a implementação. Representantes da COP30 também realizaram reuniões bilaterais e eventos sobre os Mapas do Caminho que a Presidência da COP30 está elaborando em 2026 — pela transição para o afastamento dos combustíveis fósseis e para parar e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030 — além do aprofundamento do mapa do caminho Baku-Belém para US$ 1,3 trilhão em financiamento climático.
O ministro Capobianco destacou que o governo brasileiro trabalha, por orientação do presidente Lula, na elaboração das diretrizes ao mapa do caminho nacional para a transição energética justa e planejada, com o objetivo de reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis no país. A medida é um desdobramento interno do debate global impulsionado por Lula na COP30.
Capobianco pontuou que a transição energética demanda uma ampla gama de soluções de mitigação a serem utilizadas de acordo com o contexto de cada país. “Em muitos casos, as soluções como veículos híbridos com biocombustíveis podem alcançar reduções de emissões a um custo menor por tonelada em curto prazo, permitindo que os governos maximizem o impacto climático positivo com recursos públicos limitados”, afirmou. “Isso é particularmente relevante para os países em desenvolvimento, onde o espaço fiscal é restrito e as necessidades de investimento são altas em diversos setores.”
Além dos mapas do caminho internacionais, Corrêa do Lago destacou outros temas prioritários para a Presidência da COP30 em 2026: acelerar a adaptação; consolidar a Agenda de Ação; e desenvolver o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém 1,5ºC.
