Presidências da COP30 e COP31 apresentam Acelerador Global de Implementação para impulsionar a ação climática nesta década decisiva
Nova iniciativa do Mutirão Global busca transformar compromissos climáticos em resultados concretos por meio da mobilização de governos, setor privado, instituições financeiras e sociedade civil

As Presidências da COP30 e da COP31 promoveram nesta sexta-feira (12), durante as Sessões dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (SB64), em Bonn, uma sessão aberta de informações sobre o Acelerador Global de Implementação, iniciativa lançada pelas Partes na COP30 como parte da decisão Mutirão Global: Unindo a Humanidade em uma Mobilização Global Contra a Mudança do Clima.
O encontro reuniu Partes, observadores e representantes de diversos setores para discutir o desenho e os próximos passos do Acelerador, que será desenvolvido conjuntamente pelas Presidências da COP30, do Brasil, e da COP31, liderada por Turquia e Austrália.
Criado na COP30, o Acelerador tem como mandato fortalecer a implementação climática, ampliar a cooperação internacional e apoiar os países na execução de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e Planos Nacionais de Adaptação (NAPs), contribuindo para manter o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
A iniciativa representa um dos principais legados do Mutirão Global, lançado em Belém durante a COP30, e responde ao reconhecimento crescente de que a atual década exige não apenas metas mais ambiciosas, mas, sobretudo, uma aceleração significativa da implementação de soluções já disponíveis.
Da ambição à implementação
A iniciativa atuará como uma estrutura enxuta, ágil e duradoura voltada a acelerar a implementação de um conjunto de soluções com potencial de gerar transformações em escala global. Essas soluções serão identificadas a partir dos Planos de Aceleração de Soluções (PAS) desenvolvidos no âmbito da Agenda Global de Ação Climática.
O objetivo é apoiar iniciativas capazes de serem replicadas em grande escala para acelerar o enfrentamento da crise climática — desencadeando os chamados pontos de inflexão positivos e gerando efeitos exponenciais e em cascata em diferentes setores econômicos e segmentos da sociedade. "O Acelerador é apenas um componente dentro de um ecossistema muito mais amplo de implementação. Não é uma solução mágica — é uma iniciativa que busca priorizar tópicos maduros o suficiente e que precisam apenas desse empurrão extra para se tornarem um ponto de inflexão positivo", disse Ana Toni, CEO da COP30.
Processo de seleção baseado em ciência e impacto
As soluções que receberão apoio do Acelerador serão selecionadas por meio de um processo em duas etapas. Na primeira fase, um grupo independente de especialistas e cientistas avaliará os Planos de Aceleração de Soluções com base em critérios públicos, incluindo potencial de redução de emissões, fortalecimento da resiliência, velocidade de impacto climático, capacidade de gerar efeitos multiplicadores, contribuição para NDCs e NAPs, benefícios socioeconômicos e engajamento de países em desenvolvimento, entre outros.
Na segunda fase, um Conselho de Governança cuja formação poderá incluir representantes das Presidências das COPs, Campeões de Alto Nível para o Clima, Secretariado Executivo da UNFCCC, bancos multilaterais de desenvolvimento e fundos internacionais, entre outros atores, selecionará um número limitado de soluções prioritárias a serem aceleradas anualmente.
Conectando soluções, recursos e atores
O Acelerador atuará por meio de duas funções principais. A primeira será a combinação estratégica de soluções e instrumentos existentes, reunindo mecanismos de financiamento, tecnologias, assistência técnica e capacitação para ampliar o impacto das iniciativas selecionadas.
A segunda será a articulação de atores-chave para remover barreiras de implementação e acelerar a adoção dessas soluções em larga escala. A iniciativa buscará aproximar governos nacionais e subnacionais, instituições financeiras, bancos multilaterais, empresas, investidores, filantropia, academia e organizações da sociedade civil.
Ao reunir recursos e capacidades que hoje permanecem dispersos, o Acelerador pretende fortalecer o ecossistema global de implementação climática e contribuir para que ações já identificadas como eficazes alcancem maior escala e impacto.
Participação das Partes e da sociedade
A sessão realizada em Bonn marcou o início de um processo de consulta previsto na decisão adotada na COP30. Durante o encontro, Partes e observadores foram convidados a compartilhar experiências, expectativas e sugestões sobre o desenho da iniciativa, incluindo formas de integrar ferramentas, recursos e atores atualmente fragmentados, bem como de maximizar o valor agregado do Acelerador na Agenda Global de Ação Climática.
As contribuições recebidas serão consideradas no desenvolvimento da iniciativa e integrarão os trabalhos das Presidências da COP30 e da COP31 ao longo de 2026. "Agradecemos muito a participação de todos. Os comentários são muito importantes — é um processo que está realmente sendo construído, e cada contribuição faz diferença", afirmou o Embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30.
Um relatório sobre os avanços do Acelerador será apresentado na COP31, e novas sessões de diálogo estão previstas para ocorrer em conjunto com as próximas reuniões dos órgãos subsidiários da UNFCCC.
Ao conectar ambição, implementação e cooperação internacional, o Acelerador Global de Implementação busca consolidar uma nova etapa da ação climática global: uma etapa voltada a acelerar soluções concretas, ampliar resultados e transformar compromissos em mudanças reais para as pessoas e para o planeta.
