mutirão da juventude

Relatório da Jovem Campeã do Clima revela alcance global do Mutirão da Juventude

A partir de dados, relatos e experiências rumo a Belém, o Relatório evidencia o fortalecimento da participação de jovens de diferentes territórios e contextos na ação climática e reforça a importância de mecanismos permanentes que valorizem e ampliem soluções lideradas por juventudes

Marcele Oliveira, originária de Realengo, na zono oeste do Rio de Janeiro, trouxe para o centro do debate temas como racismo ambiental nas periferias e justiça climática a partir de uma perspectiva do Sul Global, estruturando seu trabalho em torno de mobilização, diálogo e representação - Foto: PYCC
Marcele Oliveira, originária de Realengo, na zono oeste do Rio de Janeiro, trouxe para o centro do debate temas como racismo ambiental nas periferias e justiça climática a partir de uma perspectiva do Sul Global, estruturando seu trabalho em torno de mobilização, diálogo e representação - Foto: PYCC

O relatório “Destaques da Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30”, publicado esta semana pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), apresenta um panorama da contribuição das juventudes para a agenda climática global ao longo de 2025. Liderada por Marcele Oliveira, o trabalho consolidou o “Mutirão da Juventude”, conceito inspirado na tradição brasileira de ação coletiva, que engajou milhares de jovens em processos de participação, formação e incidência política no Brasil e no mundo.

Ao longo do período, mais de 4,2 mil jovens participaram diretamente das atividades promovidas pela equipe da Jovem Campeã do Clima, incluindo 26 consultas realizadas em diferentes biomas brasileiros e em eventos internacionais. 

A atuação visa a mobilização global: a Cidade da Juventude, em Belém, recebeu jovens de mais de 80 países, enquanto a plataforma digital trilingue do Mutirão das Juventudes coletou mais de 300 contribuições de 46 países, ampliando tanto a diversidade quanto a representatividade no processo. Além disso, as agendas das juventudes ganharam amplo alcance público, com 928 publicações na mídia, incluindo 55 artigos em veículos internacionais.

A Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30, Marcele Oliveira, destaca que as evidências desse processo reforçam o papel central das juventudes na construção de soluções para a crise do clima e na promoção da justiça social e ambiental.

"Este relatório consolida diferentes mobilizações realizadas pelas juventudes do Brasil e do mundo no contexto da COP30. É um aprendizado metodológico sobre o que pode e deve ser feito diante de uma função institucionalizada no processo da UNFCCC. São dados, fotos, relatos e reflexões sobre o "Mutirão das Juventudes" e seu impacto na participação de jovens e seus diversos contextos no regime do clima”, explica. 

Marcele Oliveira acrescenta que o material reforça a importância de mecanismos permanentes de governança climática global que valorizem as soluções lideradas por juventudes que podem e devem ser escalonadas. “Tudo o que construímos em Belém é um legado nacional e também para a COP31. Queremos que o relatório seja um documento de memória e referência para seguirmos construindo espaços de participação, formação e incidência por meio do diálogo intergeracional”, conclui.

O papel de Jovem Campeã do Clima da Presidência das COPs (PYCC, na sigla em inglês) — institucionalizado na COP28 — é fortalecer a inclusão e o engajamento de crianças e jovens na ação climática global. Seu mandato de dois anos assegura continuidade entre Presidências, ampliando a participação em políticas públicas, fortalecendo capacidades, amplificando vozes nos espaços de decisão e catalisando soluções climáticas lideradas por juventudes. Todo esse trabalho ocorre em estreita coordenação com YOUNGO, a instância oficial da UNFCCC para infância e juventude, gerando sinergias e evitando duplicações de esforços.