Do local ao global: crianças e adolescentes protagonizam ações territoriais pelo clima
Iniciativa do Instituto Alana e PerifaLab mobiliza infâncias em todo o Brasil e amplia a presença das novas gerações na agenda climática da COP30

Por Instituto Alana
Em outubro, Mês das Crianças, a luta contra as mudanças climáticas ganhou novos protagonistas. Por meio do Mutirão das MiniCOPs, crianças e adolescentes do Brasil se reuniram para discutir o futuro do planeta a partir de seus próprios territórios. A iniciativa integra a mobilização da COP30, que começou na segunda-feira, 10/11, e segue até o dia 21 de novembro, em Belém (PA).
O Instituto Alana e o PerifaLab, em parceria com Marcele Oliveira, Jovem Campeã do Clima da COP30, promoveram o edital “Mutirão das MiniCOPs”, que recebeu 92 inscrições e apoiou dez projetos de mobilização infantojuvenil em diferentes regiões do País. O objetivo do Mutirão das MiniCOPs é fortalecer o protagonismo das novas gerações nas discussões globais sobre clima, justiça ambiental e sustentabilidade.
As MiniCOPs conectam escolas, aldeias, quilombos, periferias e comunidades tradicionais para promover uma versão inclusiva e acessível das Conferências das Partes (COPs) — feita com e a partir das vozes das crianças e adolescentes. A proposta é criar espaços de escuta ativa, reflexão sobre realidades locais e construção de soluções que unam o cuidado com o território e com o planeta.
Inspiradas na estrutura de uma COP, as MiniCOPs valorizam a diversidade de linguagens e expressões: rodas de conversa, oficinas, produções artísticas, cartas, músicas e registros colaborativos. Todo o processo é conduzido pelos próprios participantes, respeitando seus tempos e modos de expressão.

Até agora, foram realizadas 106 MiniCOPs em 10 países e 16 estados brasileiros, que mobilizaram cerca de 4.200 crianças e adolescentes. Os projetos apoiados representam os seis biomas do Brasil — Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal — e levaram, de Norte a Sul, oficinas de artivismo, gincanas pelo clima, passeios pedagógicos e mutirões ambientais.
Iniciativas pelo Brasil
Em Caucaia (CE), por exemplo, nove escolas indígenas se uniram à organização Ruma para debater o papel do semiárido no contexto das mudanças climáticas. O encontro terminou com uma carta coletiva de propostas e demandas, que ecoará na COP30 como símbolo da força das vozes que constroem o futuro.
Em Manaus (AM), o projeto “COP dos Crias”, desenvolvido pelo Ciclo Favela, levou arte, esporte e cultura aos bairros Fátima 2, Jorge Teixeira e Beco Santa Ana. As oficinas de pintura e contação de histórias mobilizaram crianças e famílias em torno do cuidado com o território. A mensagem final foi clara: “A favela é o ponto de partida, e não o ponto final.”
Já na Paraíba, a Escola dos Sonhos organizou o projeto “Guardiões das Comunidades”, envolvendo ações de limpeza, coleta seletiva e mobilização comunitária nas zonas rurais de Bananeiras. Crianças e moradores colocaram placas de conscientização e transformaram o cuidado ambiental em prática cotidiana.
Essas experiências mostram que a participação infantojuvenil é possível e transformadora. Mais do que um gesto simbólico, é um imperativo da justiça climática. Ao fortalecer a escuta e a ação das crianças e adolescentes, o Mutirão das MiniCOPs planta as sementes de uma governança climática verdadeiramente intergeracional.
Na COP30, inspirada por esse movimento, a mensagem é única: colocar as infâncias no centro da agenda climática global. Porque cuidar do planeta é, antes de tudo, cuidar das crianças.
Clique aqui para conhecer os projetos que foram apoiados no edital.
