Da COP30 à COP31: sessão em Bonn destaca integridade da informação como pilar da implementação climática
Iniciativa Global ganha impulso à medida que países e parceiros avançam no combate à desinformação e aceleram a ação climática baseada na ciência

Garantir a integridade da informação tornou-se condição essencial para a ação climática efetiva. Essa foi a principal mensagem da sessão Fortalecendo a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima: da COP30 à COP31, Ampliando a Iniciativa Global, realizada na segunda-feira (15), durante as reuniões dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (SB64), em Bonn, na Alemanha.
Integridade da informação refere-se a um ecossistema informacional no qual informações confiáveis e baseadas em evidências estão acessíveis a todos, permitindo que as pessoas tomem decisões informadas e participem de maneira significativa da vida pública. Quando o debate climático é distorcido por desinformação, negacionismo, greenwashing ou ataques a cientistas e jornalistas, a eficácia das políticas climáticas é comprometida e a implementação de soluções é retardada.
A sessão reuniu representantes das Nações Unidas, da UNESCO, da UNFCCC e de governos engajados na Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, incluindo França, Armênia e Brasil. A Austrália, que sediará a COP31, também participou do debate, reforçando a relevância crescente do tema na agenda climática internacional.
Ao abrir a discussão, a CEO da COP30, Ana Toni, destacou que a integridade da informação se tornou um dos legados mais concretos da Presidência brasileira e um elemento fundamental para a implementação do Acordo de Paris. Ela lembrou que, pela primeira vez, o tema foi incorporado a uma decisão adotada no âmbito da UNFCCC, por meio da Decisão do Mutirão de Belém, integrante da Agenda de Ação da COP30, e fortalecido pela Declaração sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, que já conta com amplo apoio internacional.
Ana Toni também ressaltou que espaços como as Reuniões de Junho em Bonn, aliados a mecanismos de financiamento e iniciativas colaborativas, são fundamentais para transformar compromissos em ações concretas.“Quanto mais aprendermos uns com os outros e traduzirmos esse aprendizado em ações concretas em nossos países, maiores serão nossas chances de vencer essa luta contra a desinformação”, afirmou.
Representando o Brasil, a embaixadora Liliam Chagas, negociadora-chefe da COP30, destacou que o país foi o primeiro a estruturar um Capítulo Nacional da Iniciativa Global e já está implementando ações concretas para enfrentar a desinformação climática no contexto doméstico. A diplomata também ressaltou o esforço brasileiro para levar o tema ao centro das negociações climáticas internacionais. “O Brasil também está trazendo a integridade da informação para as negociações de clima, com o objetivo de engajar todos os países nessa pauta”, afirmou.

A sessão apresentou os avanços da Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, lançada durante a Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, em 2024, pelo Brasil, as Nações Unidas e a UNESCO. Em pouco mais de um ano, a iniciativa reuniu 15 países e diversas organizações internacionais, garantiu a inclusão da integridade da informação nos resultados da COP30, mobilizou parceiros da sociedade civil em todo o mundo e iniciou o financiamento de dez projetos voltados ao fortalecimento dos ecossistemas informacionais em diferentes regiões.
Os participantes enfatizaram que a desinformação, o negacionismo e os ataques coordenados contra jornalistas, cientistas, pesquisadores e defensores ambientais minam a confiança pública e atrasam a ação climática justamente em um momento em que acelerar a implementação se tornou uma prioridade urgente.
O debate reforçou um consenso crescente na comunidade internacional: proteger a integridade da informação não é apenas um desafio de comunicação. Trata-se de um pré-requisito para uma governança climática eficaz e para a transformação dos compromissos assumidos em resultados concretos.
O Global Risks Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta a desinformação e a informação falsa como o principal risco global de curto prazo pelo segundo ano consecutivo, destacando seu impacto na coesão social e na governança ao corroer a confiança e aprofundar divisões dentro e entre países. Já os eventos climáticos extremos — consequência direta das mudanças climáticas — ocupam a segunda posição no horizonte de dois anos e aparecem como o maior risco global no horizonte de dez anos.
Olhando para a COP31, que será realizada em Antália, na Turquia, Ana Toni expressou confiança na continuidade do impulso gerado pela COP30. ““Contem com a Presidência da COP30 até o último dia do nosso mandato para continuar avançando essa agenda. E contem com o Brasil para permanecer um parceiro comprometido muito além disso”, afirmou.
Saiba mais
Declaração sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, lançada em 12 de novembro de 2025 e endossada por 26 países e pela União Europeia:
https://www.unesco.org/en/information-integrity-climate-change/cop30declaration?hub=780
Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação:
https://www.un.org/en/information-integrity/global-principles
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