COP30 conquista certificação de neutralidade de carbono

Realizada em Belém, a conferência obteve certificação internacional de neutralidade de carbono após auditoria independente, seguindo a norma ISO 14068-1. As emissões foram mensuradas, reduzidas e compensadas, reforçando o protagonismo do Brasil na agenda climática

COP30 em Belém faz história e conquista certificação internacional de neutralidade de carbono com foco no protagonismo brasileiro - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
COP30 em Belém faz história e conquista certificação internacional de neutralidade de carbono com foco no protagonismo brasileiro - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Após auditoria externa internacional, a 30ª Sessão da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém do Pará, Brasil, recebeu certificação de conferência neutra em carbono, em conformidade com a norma ISO 14068-1:2023. 

A conquista da neutralidade de carbono representa um marco significativo e atende a referenciais internacionais para a quantificação, redução e compensação de emissões de gases com efeito de estufa, exigindo processo estruturado e transparente. Como principal fórum global para discussões sobre mudança climática, a COP30 se torna referência em sustentabilidade, reforçando credibilidade e liderança na ação climática. 

A conferência envolveu milhares de participantes de todo o mundo, infraestrutura de grande porte e uma logística robusta. A certificação aponta que cada aspecto do evento, desde o transporte internacional dos delegados até o consumo de energia nos locais da conferência, foi contabilizado e mitigado. 

De acordo com o secretário extraordinário para a COP30, Valter Correia, a conquista envia uma mensagem importante no contexto do debate sobre a mudança do clima. “Alcançar a neutralidade de carbono, com verificação independente, segundo a ISO 14068, foi um processo rigoroso e desafiador, mas essencial para demonstrar nosso compromisso real com a neutralidade de carbono. Esta conquista envia uma mensagem poderosa à comunidade internacional sobre a seriedade com que tratamos as questões climáticas”. 

Além da certificação de neutralidade de carbono, de acordo com a norma ISO 14068-1:2023, a COP30 recebeu em dezembro passado a certificação do Sistema de Gestão da Sustentabilidade de Eventos, de acordo com a norma ABNT NBR ISO 20121:2024. 

"A COP30 conquistou a certificação ISO 20121 do seu Sistema de Gestão de Eventos Sustentáveis, com o processo de auditoria que confirma a robustez de um sistema de gestão capaz de manter seus padrões mesmo em situações adversas. Ao mesmo tempo, a neutralidade de carbono do evento foi verificada segundo a norma ISO 14068, reforçando o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e estabelecendo um novo benchmark para conferências climáticas globais”, acrescenta Paulo Bertolini, diretor da APCER Brasil, responsável por acompanhar os dois processos de certificação.

Compensação de CO2

A CAIXA foi responsável pela compensação de 130 mil toneladas de CO₂, oriundas do Programa de Atividades (PoA) CAIXA em resíduos sólidos urbanos, certificados pela UNFCCC, no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O programa reúne projetos de eficiência energética e sustentabilidade a partir da captura e uso do gás metano, gerando reduções certificadas de emissões submetidas a validação e verificação independentes, o que assegura rastreabilidade e credibilidade ao volume compensado pela COP30. 

Certificação internacional consolida a COP30 como referência global em sustentabilidade - Foto: Sten Gustavo Franco
Certificação internacional consolida a COP30 como referência global em sustentabilidade - Foto: Sten Gustavo Franco

A CAIXA também disponibilizou uma plataforma de compensação voluntária de emissões aos participantes e visitantes da COP30. Por meio da ferramenta, os usuários puderam estimar as emissões de CO₂ geradas por suas viagens aéreas até a Conferência e, em seguida, realizar a compensação voluntária dessas emissões. A iniciativa ampliou o engajamento climático do público, oferecendo um mecanismo simples, transparente e rastreável para que cada participante contribuísse individualmente com a redução do impacto ambiental do evento. 

O diretor de Sustentabilidade e Cidadania Digital da CAIXA, Jean Benevides, destaca que a Certificação é o reconhecimento dos esforços que o banco público realiza há pelo menos duas décadas. “A cada ano, os padrões internacionais de sustentabilidade estão aumentando e a CAIXA tem se posicionado na vanguarda do sistema financeiro brasileiro. Assumimos a compensação integral das emissões da COP30 como parte da missão de apoiar o desenvolvimento sustentável do País. Esta conquista é mais um reconhecimento do trabalho realizado pela CAIXA, que se consolida como parceira estratégica do Brasil na construção de uma agenda climática robusta e alinhada às melhores práticas globais”.

Requisitos da norma ISO 14068-1:2023

A conformidade com a norma ISO 14068-1:2023 exige a implementação de um processo robusto para monitorar e gerenciar emissões de GEE, estruturado em três pilares principais:

  • Quantificação de emissões: o inventário de emissões deve ser abrangente, detalhando tanto as emissões diretas quanto as indiretas associadas ao evento, com base em critérios internacionalmente reconhecidos.
  • Redução: definição de metas de redução de emissões, combinadas à implementação de soluções práticas e mensuráveis que contribuam para reduzir significativamente a pegada de carbono do evento.
  • Compensação de emissões residuais: para as emissões que não puderem ser evitadas, a norma exige o uso de créditos de carbono verificados, rastreáveis e de alta qualidade, garantindo que a compensação seja ambientalmente efetiva.

A certificação da neutralidade de carbono verificada segundo a ISO 14068, aliada à compensação de 130 mil toneladas de CO₂ certificada pela ONU e à certificação do Sistema de Gestão da Sustentabilidade de Eventos, consolida a COP30 como uma referência global em sustentabilidade e rigor técnico na organização de grandes conferências climáticas. O evento estabelece um novo padrão para futuros eventos internacionais, provando que é possível realizar conferências de grande escala com responsabilidade ambiental e compromisso genuíno com a neutralidade de carbono.