INTEGRIDADE DA INFORMAÇÃO

Brasil e Armênia lideram relatório internacional que propõe dez prioridades para enfrentar a desinformação climática

Documento do Fórum sobre Informação e Democracia apresenta recomendações para fortalecer a integridade da informação ambiental, proteger jornalistas e responsabilizar plataformas digitais

Vista feita de drone, desde a Ilha do Combu, com a cidade de Belém do Pará ao fundo -  Foto: Alex Ferro/COP30
Vista feita de drone, desde a Ilha do Combu, com a cidade de Belém do Pará ao fundo - Foto: Alex Ferro/COP30

O Fórum sobre Informação e Democracia divulgou, nesta quinta-feira (12/2), um relatório internacional que estabelece dez prioridades para enfrentar a desinformação e fortalecer a integridade da informação sobre mudança do clima e meio ambiente. O documento é resultado do Grupo de Trabalho sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima e Meio Ambiente, copresidido pelos governos do Brasil e da Armênia ao longo dos últimos 12 meses.

O relatório apresenta medidas concretas que os governos podem adotar, incluindo a reforma da publicidade digital, a proteção de jornalistas ambientais e a incorporação da integridade da informação nas estruturas de governança climática e ambiental.

Embora dados recentes indiquem que o mundo está fora da rota necessária para limitar o aquecimento global a 1,5°C, a desinformação climática tem se consolidado como um desafio adicional aos esforços internacionais de enfrentamento da crise climática e de preservação ambiental.

Segundo Camille Grenier, diretor-executivo do Fórum sobre Informação e Democracia, a urgência do tema exige ação coordenada dos Estados e demais atores. “A desinformação climática tem sido cada vez mais instrumentalizada para ganhos políticos, e a ação por parte dos Estados e outros atores relevantes é urgente. O relatório do nosso Grupo de Trabalho sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima e Meio Ambiente apresenta reformas claras que os governos podem implementar, em consonância com os princípios estabelecidos na Parceria sobre Informação e Democracia, em especial o direito à liberdade de opinião e de expressão”, afirmou.

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL – O grupo de trabalho reuniu quase 100 formuladores de políticas públicas, pesquisadores e especialistas da sociedade civil de 30 países, com o objetivo de desenvolver recomendações capazes de enfrentar a desinformação climática, considerada por organismos internacionais como uma das principais ameaças globais contemporâneas.

Os primeiros resultados foram apresentados durante a COP30, realizada em Belém (PA), quando países participantes endossaram a Declaração de Belém sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima. O relatório também contribui para o avanço da Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, liderada pelo Brasil em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

RECOMENDAÇÕES – Entre as principais recomendações estão o fortalecimento da transparência e da responsabilização das plataformas digitais, a proteção de jornalistas ambientais, o enfrentamento à monetização da desinformação e o fortalecimento da comunicação científica e da educação midiática e ambiental.

O documento também destaca a importância de ampliar a coordenação internacional e fortalecer capacidades institucionais, reconhecendo a integridade da informação como elemento essencial para a ação climática eficaz e para o fortalecimento da democracia.

A implementação dessas recomendações já está em andamento em países como Brasil, Armênia, Bélgica e França. O Fórum sobre Informação e Democracia continuará acompanhando essas iniciativas e prevê a publicação de um novo relatório em 2026.

Confira as principais recomendações do relatório:
  • Incorporar a integridade da informação diretamente nos marcos de governança climática e ambiental, reconhecendo que a ação climática não pode ser alcançada sem acesso a informações confiáveis.
  • Reformar a publicidade digital e os incentivos econômicos para interromper a monetização da desinformação ambiental.
  • Ampliar a transparência e a responsabilização corporativa para expor interesses particulares, combater o “greenwashing” e regular as alegações ambientais (“environmental claims”).
  • Proteger jornalistas e defensores ambientais como base para um debate público informado e para a responsabilização.
  • Fortalecer os marcos regulatórios e a responsabilização das plataformas, assegurando que esses espaços contribuam para o acesso a informações confiáveis e sejam responsabilizados por seus sistemas.
  • Reforçar a liberdade e a sustentabilidade da imprensa e o jornalismo ambiental de alta qualidade como bens públicos.
  • Aprimorar a comunicação científica, a integridade dos dados e a inclusão digital para garantir acesso universal a informações ambientais confiáveis.
  • Promover a educação ambiental e midiática para fortalecer a resiliência social à desinformação.
  • Expandir a pesquisa, o monitoramento e metodologias compartilhadas sobre desinformação ambiental e operações de influência.
  • Fortalecer a capacidade institucional e a coordenação multilateral, alinhando os esforços nacionais com iniciativas internacionais, como a Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima.
Baixe aqui o relatório das dez prioridades para enfrentar a desinformação climática