Agenda do Clima

Brasil assume pela primeira vez presidência de comitê de tecnologia da ONU sobre mudança do clima

Diplomata brasileiro Pedro Ivo Ferraz da Silva chega ao comando de órgão da ONU. A liderança brasileira deve dar mais visibilidade a financiamento, capacitação e inovação com saber local.

Presidente Pedro Ivo Ferraz da Silva e a vice-presidente Céline Phillips - Foto: Divulgação MRE
Presidente Pedro Ivo Ferraz da Silva e a vice-presidente Céline Phillips - Foto: Divulgação MRE

O secretário Pedro Ivo Ferraz da Silva, coordenador de assuntos científicos e tecnológicos do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores, foi eleito hoje, por consenso, para presidir o Comitê Executivo de Tecnologia (TEC) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Trata-se da primeira vez que o Brasil assume a presidência do órgão. A francesa Céline Phillips, da Agência Francesa de Transição Ecológica, assumiu a vice-presidência. 

O TEC desempenha papel central no Mecanismo de Tecnologia da UNFCCC, sendo responsável por produzir análises e recomendações voltadas ao desenvolvimento e à transferência de tecnologias para enfrentar a mudança do clima. O Comitê reúne especialistas indicados por países desenvolvidos e em desenvolvimento e atua em áreas como inovação, tecnologias emergentes, capacitação, financiamento e fortalecimento de ecossistemas tecnológicos.

A eleição de um representante brasileiro ocorre em meio ao crescente protagonismo do país nas discussões internacionais sobre tecnologia e clima. O resultado também reflete o engajamento do Brasil na promoção da cooperação internacional e no avanço de soluções tecnológicas voltadas a uma transição sustentável e inclusiva.

A presidência brasileira coincide com um momento de maior pressão por resultados concretos na agenda tecnológica da UNFCCC, especialmente no que diz respeito à implementação de soluções em países em desenvolvimento. Nesse contexto, espera-se que o Brasil contribua para impulsionar iniciativas voltadas à aplicação prática de tecnologias e ao fortalecimento de parcerias internacionais.

Durante o mandato, o presidente do TEC terá entre suas atribuições a condução dos trabalhos do Comitê e o apoio à implementação de decisões das Conferências das Partes, incluindo o Programa de Implementação Tecnológica de Belém (BTIP), um dos principais resultados da COP30 voltado à aceleração da difusão de soluções tecnológicas para a ação climática.

A liderança brasileira também tende a ampliar a visibilidade de temas prioritários para países em desenvolvimento, como o acesso a financiamento, o fortalecimento de capacidades nacionais e a promoção de abordagens colaborativas que integrem inovação tecnológica e conhecimento local.

A escolha de um diplomata brasileiro para liderar o Comitê também ocorre em um contexto de maior articulação entre agendas de tecnologia, desenvolvimento e clima no cenário internacional. O tema tem ganhado destaque nas negociações multilaterais, com ênfase na necessidade de alinhar inovação tecnológica a objetivos de sustentabilidade e inclusão, especialmente diante dos desafios impostos pela mudança do clima.

Nesse cenário, a presidência brasileira no TEC abre espaço para o fortalecimento do diálogo entre países e para o avanço de iniciativas em áreas estratégicas, como digitalização, aplicações de IA voltadas à ação climática e o desenvolvimento e a difusão de tecnologias de baixo carbono, com potencial de ampliar o impacto das soluções em escala global.