BOLETIM DE RÁDIO COP30 BRASIL

Boletim COP30 Brasil #39 - Diretora do GCF defende uma nova abordagem para alcançar o 1.3 trilhão de dólares para clima

Mafalda Duarte pontua que o desafio da COP30 é colocar em prática os acordos para o clima e pensar novas formas de incentivo ao financiamento climático. Ouça a reportagem e saiba mais.

Mafalda Duarte, diretora do Fundo Verde para o Clima, reforça que financiamento climático precisa de mais agentes para avançar — Foto: Rafa Neddermeyer / COP30
Mafalda Duarte, diretora do Fundo Verde para o Clima, reforça que financiamento climático precisa de mais agentes para avançar — Foto: Rafa Neddermeyer / COP30

Reportagem: Mayara Souto |COP30 Brasil
Locução: Inez Mustafa | COP30 Brasil

Repórter: Como financiar a luta contra a mudança do clima? Essa é uma das grandes questões do nosso tempo. E a resposta já está em movimento: a COP30, que acontecerá em Belém, no Brasil, tem um desafio claro: mobilizar 1,3 trilhão de dólares para transformar promessas em ação.

A diretora-executiva do Fundo Verde para o Clima, Mafalda Duarte, acredita que esse valor é possível; mas faz um alerta:

Mafalda: O grande desafio do Brasil é gerar a vontade política e o entendimento político de que é necessário encontrar outros novos instrumentos que permitam, basicamente, mobilizar os recursos públicos que são necessários para que se alavanque o setor privado. É necessário os recursos públicos, mas não vão ser os orçamentos de estado que vão conseguir financiar esse trilhão de dólar. Vai ter que ser o setor privado. 

Repórter: E como fazer isso? Uma das saídas são os fundos verdes, afirma Mafalda; mas, afinal, o que são esses fundos?

Imagine um "cofrinho" global, abastecido por diferentes fontes, para bancar iniciativas que reduzem emissões, protegem florestas e preparam comunidades contra os impactos do clima. O Fundo Verde do Clima é o maior deles: opera em mais de 130 países, com 18 bilhões de dólares em investimentos; mas há um problema histórico, como destaca Mafalda: grande parte desse dinheiro não chega aos mais vulneráveis. Por isso, surge um movimento global para garantir que as comunidades locais liderem ações de adaptação:

Mafalda: Historicamente o que acontece no financiamento de clima e também no financiamento de apoio ao desenvolvimento é que grande parte dos fundos não chegam às comunidades locais, aos mais vulneráveis, aqueles que estão mais expostos. Inclusive por causa disso, há todo um esforço, por exemplo, a nível internacional de princípios do que se chama "locally led adaptation". Ou seja, que esforços de adaptação sejam liderados localmente. Tudo isso é um reconhecimento da realidade, de que não temos feito o suficiente para que o financiamento chegue.

Repórter: Pensando em colocar na mesa quem mais sofre com a mudança do clima, mas que, ao mesmo tempo, é a que mais protege o meio ambiente, a COP30 criou o Círculo dos Povos, que inclui as demandas dos territórios indígenas nas negociações. Para Mafalda, a mensagem é clara.

Mafalda: Se nós queremos resultados diferentes, temos que fazer as coisas de forma diferente.