Grupo consultivo de finanças da COP30 lança iniciativa permanente para avançar economia climática
Plataforma dá continuidade a trabalho independente que contribuiu com o Mapa do Caminho de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, lançou nesta quarta-feira (24/6) na London School of Economics and Political Science (LSE), em Londres, a iniciativa Economics of Climate Organisation (ECO), em mais um passo para aproximar a pesquisa econômica da formulação de políticas climáticas globais.
A ECO é uma evolução do Conselho de Economia, Finanças e Clima, formado pela Presidência da COP30, em 2025, para apoiar os trabalhos sobre financiamento climático. O grupo produziu um documento com ideias para enriquecer o debate sobre economia, finanças e clima, que foi entregue à Presidência da COP30 em setembro do ano passado como contribuição para a construção do Mapa do Caminho de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão.
A ECO torna permanente o esforço de qualificar o debate sobre a dimensão econômico-financeira das políticas de resposta à mudança do clima e será formada, inicialmente, por pesquisadores da própria LSE, do International Growth Centre (Reino Unido), do Massachusetts Institute of Technology (EUA), da PUC-Rio e das universidades de Chicago, Columbia e Yale (as três norte-americanas). Seu lançamento na LSE, durante a Semana de Ação Climática de Londres, contou com a presença de alguns dos principais economistas nas áreas de clima, energia, florestas, mercados de carbono e financiamento climático.
A iniciativa reforça a decisão “Global Mutirão: Uniting humanity in a global mobilization against climate change", tomada por consenso no fim da COP30, que indica a necessidade de impulsionar urgentemente medidas que permitam alcançar, em 2035, no mínimo US$ 1,3 trilhão em financiamento climático para países em desenvolvimento.
“É com imenso prazer e honra que lanço formalmente a Economics of Climate Organisation, ECO, resultado do reconhecimento de que os formuladores de políticas precisam de evidências econômicas mais sólidas e de um engajamento mais próximo com pesquisadores para enfrentar o desafio climático", afirmou o presidente da COP30.
“Como podemos encorajar todos os atores que não são países? E como podemos envolvê-los para encontrar as soluções que os governos, com suas enormes limitações e obviamente com os desafios financeiros, não conseguem encontrar? Antes pensávamos que a mudança do clima era sobre negociações. Agora, é sobre implementação”, acrescentou o diplomata.
Mapa do Caminho de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão
Além do lançamento da ECO, a Presidência da COP30 participou de outras sessões e eventos sobre financiamento climático em Londres nesta semana para estimular a implementação do Mapa do Caminho de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão, lançado em novembro de 2025 e desenvolvido em colaboração com a Presidência da COP29.
O mapa do caminho tem mais de 70 recomendações, baseadas em cinco frentes de ação prioritárias até 2035, chamadas de 5Rs:
1. Recomposição de doações, financiamento concessional e capital de baixo custo;
2. Reequilíbrio do espaço fiscal e sustentabilidade da dívida;
3. Redirecionamento de financiamento privado e redução do custo de capital;
4. Reestruturação de capacidades e de coordenação voltadas a portfólios climáticos em escala; e
5. Reformulação de sistemas e estruturas para fluxos de capital equitativos.
Até o fim do ano, a Presidência da COP30 busca avançar a implementação do mapa do caminho. Além do engajamento de atores-chave, estão em curso três outras iniciativas: o monitoramento do progresso do fluxo de financiamento para países em desenvolvimento, com análise da escala, velocidade, alcance e impacto na ação climática; o fortalecimento das bases analíticas sobre as fontes projetadas de financiamento públicas e privadas; e a articulação entre financiamento climático e prioridades nacionais, conectando as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e seus objetivos de mitigação de gases do efeito estufa e aos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs).
"A mudança do clima transforma vidas, reordena a geopolítica e pressiona a economia. A ECO reunirá grandes nomes para orientar as transformações necessárias, assegurando que sejam mais justas, reduzam desigualdades e fortaleçam a governança", disse o presidente da COP30.



