Fóruns de implementação da UNFCCC passam a ser orientados pelos seis eixos da Agenda de Ação de Clima definidos na COP30
Os eventos da Semana do Clima da República da Coreia (CW3) foram organizados com base nos seis eixos da Agenda de Ação, com o objetivo de acelerar a era de implementação no combate às mudanças climáticas

Entre os dias 21 e 25 de abril, a Convenção-Quadro das Nações Unidas para o Clima (UNFCCC), órgão da ONUresponsável pela agenda global de enfrentamento da crise climática, realiza a 3ª Semana de Clima de 2026 (CW3), em Yeosu, na República da Coreia. Anualmente, a Convenção realiza dois eventos no calendário oficial das Conferências das Partes. O segundo evento de 2026, rumo à COP31 na Turquia, será em setembro, em Baku, no Azerbaijão.
A novidade em 2026 é que os Fóruns de Implementação organizados nas semanas da UNFCCC passam a ser orientados pelos seis eixos da estrutura da Agenda de Ação estabelecida na COP30: (1) Transição energética, industrial e dos transportes; (2) Cuidando das florestas, dos oceanos e da biodiversidade; (3) Transformando a agricultura e os sistemas alimentares; (4) Construindo resiliência para cidades, infraestrutura e água (5) Promoção do desenvolvimento humano e social; e (6) Liberar facilitadores e aceleradores, incluindo financiamento, tecnologia e capacitação.
Os Laboratórios de Implementação e Investimento (Implementation Labs) que estão sendo promovidos no âmbito do evento, ão sessões práticas e orientadas para soluções, com foco em iniciativas já testadas que contribuem para a implementação dos Planos para Acelerar Soluções (PAS), no âmbito da Agenda Global de Ação Climática. Todos os laboratórios serão organizados em torno de algum PAS em diferentes áreas: fim do desmatamento e da degradação florestal; transformação energética e industrial; impactos dos eventos climáticos extremos e seus resíduos na saúde; sistemas hídricos resilientes ao clima; governança participativa; mobilidade urbana; comunicação contra a desinformação climática; inteligência artificial; entre outros.
Durante a CW3 haverá ainda uma exposição regional sobre Planos Nacionais de Adaptação da Ásia (National Adaptation Plan/NAP), que fazem parte da Agenda de Ação e a Regional NAP Expo, com ênfase em financiamento.
As presidências das COPs 30 e 31, bem como a UNFCCC e os times dos Campeões de Alto Nível de Clima, têm trabalhado juntos para avançar cada vez mais na implementação de ações de mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação.
Semanas de Clima da UNFCCC conectadas com a Agenda de Ação
“Com a COP30 em Belém marcando uma nova era de implementação, nossas Semanas do Clima de 2026 ajudarão a mostrar como a implementação prática dos compromissos e resultados da COP pode se concretizar e trazer grandes benefícios para governos, empresas, comunidades e pessoas em larga escala”, disse Simon Stiell, Secretário Executivo da ONU para Mudanças Climáticas.
“Por meio da Semana do Clima 2026, a República da Coreia compartilhará com a comunidade internacional sua visão de uma ‘sociedade verde descarbonizada’”, disse Kim Sung-whan, ministro do Clima, Energia e Meio Ambiente da República da Coreia. “O evento marcará um importante passo para apresentar as soluções climáticas da Coreia com potencial de aplicação global..”
A primeira carta da Presidência da COP31
No dia 13 de abril, o presidente designado da COP31, Murat Kurum, divulgou sua primeira carta, na qual sinaliza que a COP31 será marcada como a "COP do Futuro", com uma abordagem focada na implementação e guiada por três princípios fundamentais: Diálogo, Consenso e Ação. A Presidência Turca reafirmou ainda a importância dos seis eixos da Agenda de Ação e da sua comunidade, que reúne mais de 482 iniciativas para a implementação de soluções.
Algumas agendas temáticas têm recebido atenção especial, conforme prioridades anunciadas pela COP31: (1) abordagem de zero resíduos e economia circular (eixo 4); (2) transição para energia limpa (eixo 1); (3) industrialização verde e de baixo carbono (eixo 1); (4) resiliência de regiões, oceanos e mares vulneráveis (eixo 2); (5) segurança alimentar e desenvolvimento de sistemas agrícolas sustentáveis (eixos 3 e 5); (6) cidades resilientes ao clima e sustentáveis (eixo 4); (7) mecanismos financeiros e institucionais que apoiam a ação climática (eixo 6); (8) participação ativa dos jovens (eixos 5 e 6); e (9) ação intersetorial para abordar conjuntamente as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação do solo (eixos 2 e 6).
