Da ambição à implementação: 290 eventos da London Climate Action Week avançam a Agenda Global de Ação Climática
Na semana do clima de Londres, a Agenda de Ação aproximou governos, empresas, investidores e sociedade civil para acelerar a implementação dos Planos de Aceleração de Soluções (PAS) e estreitar a colaboração entre seus eixos temáticos no caminho para a COP31, em Antália.

Londres foi palco, essa semana, de uma série de encontros em que a Agenda Global de Ação Climática colocou a implementação no centro do debate. Durante a London Climate Action Week (LCAW), a Agenda de Ação aproximou governos, empresas, investidores e sociedade civil em torno de um mesmo propósito: converter os compromissos assumidos na COP30, em Belém, em resultados concretos a caminho da COP31, em Antália, na Turquia.
A programação contou com parcerias estratégicas que ampliaram o alcance da Agenda de Ação durante a semana: a E3G, organizadora da LCAW, e a Climate Action e World Climate Foundation, responsáveis por eventos âncora da semana, trabalharam em conjunto com a Presidência da COP30 para conectar suas programações Agenda de Ação.
Sete meses após a conferência em Belém, o conjunto de mais de 480 iniciativas e 120 Planos de Aceleração de Soluções (PAS) que dão corpo à Agenda de Ação já mostram tração. A programação londrina ajudou a evidenciar como a Visão de Cinco Anos (2026–2030), apresentada na COP30, vem ganhando forma em ações coordenadas entre os seis eixos temáticos definidos a partir das conclusões do primeiro Balanço Global — da energia às cidades, da indústria aos sistemas alimentares.
Harmonização de padrões de carbono em foco
Um dos pontos altos nessa frente foi a abertura da consulta pública global da Norma ISO de Net Zero (ISO 14060), no Guildhall, em parceria com o British Standards Institution (BSI). O painel reuniu representantes da ISO, do GHG Protocol, dos setores financeiro e empresarial, que convidaram empresas, governos e a sociedade civil a contribuírem junto aos organismos nacionais de normalização antes da votação dos países, em 9 de setembro. Trata-se de um avanço importante do Plano de Aceleração de Soluções (PAS) para harmonizar os padrões globais de contabilização de carbono do eixo 6 da Agenda de Ação: catalisadores e aceleradores, incluindo financiamento, tecnologia e capacitação.
A consulta integra um esforço mais amplo de convergência. No início de junho, foi publicada a ISO 32212, voltada ao planejamento de transição de instituições financeiras, e avançou a parceria entre a ISO e o GHG Protocol, com normas finais previstas para 2028. Para apoiar esse movimento, as iniciativas da Agenda de Ação anunciaram ainda a criação, em 2026, de um novo Grupo de Ativação dedicado a emissões líquidas zer.
PAS em destaque: da contabilidade de carbono à transição energética
A harmonização também abriu a primeira de uma série de mesas-redondas realizadas no escritório do BCG, em Londres. Intitulado "Making Carbon Count", o encontro tratou dos mercados e da contabilidade de carbono como base para a implementação rumo à COP31, com a UNIDO conduzindo o debate sobre descarbonização industrial. Os participantes ressaltaram a complementaridade entre os PAS e a importância da parceria entre ISO e GHG Protocol para a construção de mercados de alta integridade.
Durante a semana, foram realizadas outras mesas-redondas abordando os outros eixos da Agenda de Ação. Em parceria com a Aliança Global para Edificações e Construção (GlobalABC), uma mesa de alto nível discutiu a ampliação de soluções climáticas e circulares para edificações resilientes ao calor e emissões quase zero, com a presença de iniciativas privadas, governos, investidores e sociedade civil ligados a diferentes PAS. Outras sessões trataram da transição para longe dos combustíveis fósseis, do financiamento de soluções climáticas por meio da Agenda de Ação e do PAS para fertilizantes, sempre reunindo atores estatais e não estatais em torno da implementação.
Financiamento e compromisso empresarial na era da implementação
No lançamento do Business Breakthrough Barometer 2026, produzido em parceria com os Campeões Climáticos de Alto Nível, Breakthrough Agenda e a Marrakech Partnership, visões de mais de 500 executivos de 60 países confirmaram que a ambição deixou de ser o principal gargalo — 92% veem a sustentabilidade como vantagem competitiva e 89% mantiveram ou aumentaram seus investimentos climáticos no último ano. Em seguida, o evento Sectoral Business Coalitions for Climate Action: Scaling a Proven Model Across the Global South, organizado pelo CEBDS com apoio da BCG e da We Mean Business Coalition, mostrou como o engajamento estruturado do setor privado pode traduzir compromissos nacionais em ação: no Brasil, o modelo reuniu cerca de 200 organizações e mapeou mais de 140 alavancas de transição que informaram diretamente o Plano Climático e a estratégia de implementação da NDC. "O capital está disponível, mas o investimento segue a certeza. Governos, empresas e instituições financeiras precisam trabalhar juntos para reduzir fricções, diminuir riscos e acelerar a mobilização", afirmou Ana Toni, CEO da COP30.
Na sessão Financing Climate Solutions through the Action Agenda, co-organizada pela Presidência da COP30 e pelos Campeões Climáticos de Alto Nível, iniciativas apresentaram soluções concretas a investidores, bancos multilaterais e instituições financeiras — entre elas o Eco Invest, conectado ao PAS de FX Hedge, que já mobilizou mais de R$ 75 bilhões, incluindo cerca de R$ 46 bilhões de investidores estrangeiros.
O caminho até Antália
O elo entre as presidências das COPs foi fortalecido durante toda a semana. Ele deu nome, inclusive, ao diálogo de liderança "From COP30 to COP31: Accelerating Implementation", realizado no 19º Global Roundtable da UNEP FI sobre finanças sustentáveis — um dos maiores fóruns globais na área, que reuniu mais de 500 participantes presenciais em Londres.
"Por muito tempo, clima e setor financeiro estiveram em esferas completamente separadas. O que buscamos fazer na COP30 foi aproximar esses dois mundos para encontrarmos soluções comuns para a maior crise que enfrentaremos nos próximos 100 anos", afirmou Ana Toni, durante o evento.
Mais do que o anúncio de metas, o que se viu em Londres foram soluções se consolidando — sinal de que, no processo entre Belém e Antália, a tônica do progresso climático tem cada vez mais foco na implementação.
